sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

É geografia!

      O que me adiantaria ser bonita? Ser elegante? Ser deliciosamente perfumada? Sair de casa maquiada? Ter roupas bonitas? Usar vestidos? Gostar de heavy metal? Estar fadada ao sucesso? Mostrar-se independente? Causar ciúmes? Chorar? Sorrir? Te olhar? Te abraçar? Apertar as suas bochechas? Me declarar ao mundo? Sentir? Ser correspondida? Amar? E ser amada?



NADA.



"É que não é por causa disso... É geografia!"





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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cuspindo palavras


     Minhas mãos escorrem sobre as palavras que minha mente cospe. Tudo isso para escrever uma carta. Uma carta com um só endereço: o endereço do remetente. Sem destinatário, ou melhor, sem a coragem de lhe dar um destinatário, essa carta é surda. Causa da surdez? O orgulho.

     Houve um tempo em que a escrita era minha amiga. Surgia em momentos descabidos. Numa pizzaria, por exemplo. Mesa cheia, conversa animada, rodízio de pizzas, música, fotos e um surto de inspiração para escrever. Era mais do que correr a caneta sobre o guardanapo. Era quase uma necessidade.

     Depois de um tempo, via esses "surtos de inspirações" para escrever, na forma de poesia, como um showzinho barato de pré-adolescente. A pré-adolescente que não se conhecia, não se encontrava, não era. Buscava atenção, pensei.  E o papel me dava atenção. Ouvia-me sem cessar. Mas, tendo esse momento de poetisa passado, eu permiti que esses momentos ficassem para trás, infelizmente.

     Contudo, hoje volto e me curvo diante de uma situação parecida com a da pré-adolescência. Peço socorro à escrita! Todavia, percebo que o papel não é mais meu ouvinte preferido. Despersonifico o papel e logo sinto a real solidão em que me encontro. A solidão de escrever sem um destinatário.

     Não me sinto uma voz que grita no deserto. Sinto-me. E me sinto diante de uma concha acústica. Falo e eu mesma me escuto.